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Realmente
é preciso mudar?
Edson Gil
Um
sem número de autores e profissionais alardeiam aos quatro
ventos a eterna necessidade de mudança por parte das organizações.
Muitos
afirmam que o grau de competitividade deve ser observado através
da capacidade inovadora da organização com base em
diversos critérios. Alguns destes critérios até
viraram modismos crônicos e provocaram maus bocados para quem
os seguia sem refutar nada.
Pois
aqueles que costumam basear as suas atitudes gerenciais em torno
de critérios sem fundamentação acabam pagando
o preço (alto) de crer em bases sofistas.
Que
o mundo está mudando ninguém duvida. Mudam sempre
as necessidades e as expectativas. E muitas vezes muda pela forma
como acha que muda. Mudando, sem critérios definidos, com
base naquilo que ouve ou simplesmente acha que é o correto.
Ao
longo dos estudos desenvolvidos por cientistas da administração,
o que sempre foi revelado é que cada teoria, pesquisa ou
paradigma será diferente a cada contexto. O grande problema
é que, muitas vezes, este fato é esquecido e a adoção
de novas idéias com visão rigidamente míope
provoca estragos, desperdício de recursos e abalo sobre as
expectativas pessoais.
Se
os parâmetros delineados para a visualização
de uma necessidade de mudança estão no mercado de
uma forma geral, principalmente nos clientes e nos concorrentes,
estes mesmos parâmetros não escapam das necessidades
de manter a busca pela sobrevivência e pela crescente expansão
da organização.
Por
isso é importante estabelecer a diferença entre o
desenvolvimento e o crescimento.
O desenvolvimento
pode conceituado como a capacidade de ser competente para atender
cada vez melhor as necessidades e expectativas dos grupos de stakeholders
que compõem a organização, passa pela busca
incessante da competitividade, do espaço estratégico
e de referenciais para ser atingido.
O crescimento
é estrutural, ocorre através de insumos e recursos,
podendo ser, inclusive, gerador de problemas de ordem estratégica
na busca pela eficácia organizacional.
É
obvio que em dias de eterna preocupação com os custos,
o crescimento deve ser fundamentado na eficiência, para obter
o desenvolvimento, que é a eficácia.
Uma
empresa precisa mudar para se desenvolver, e só crescer se
realmente for necessário e importante.
O desenvolvimento
é a manutenção da busca pela sobrevivência,
aproveitando cada oportunidade do mercado, enxergando não
apenas uma, mas todas as cinco forças competitivas, do estabelecimento
dos poderes de barganha, aos substitutos e entrantes, passando pela
análise criteriosa sobre a rivalidade entre os concorrentes,
seus pontos fortes e fracos, bem como as ameaças.
É
o uso de referenciais mercadológicos que permite a empresa
buscar as suas mais importantes competências e o aumento de
sua participação no mercado.
A principal
base para estas referências é a informação.
Não somente a externa, mas a necessidade da eterna busca
pela sobrevivência e expansão torna essencial ao gestor
olhar para dentro de sua organização e ver o que pode
ser feito para atingir seus resultados.
Por
isso as pessoas são tão importantes nestes processos
de desenvolvimento.
E assim,
ao invés de se perguntar “como posso aplicar este ou
aquele conceito em minha empresa?”, deve, sim, procurar e
encontrar formas de garantir a sobrevivência e expansão,
podendo até usar o novo conhecimento adquirido.
É
a capacidade de questionamento quem acende a necessidade da informação,
buscando na solução dos problemas os fatores de competitividade,
não só através especificação
clara dos resultados desejados, mas também da definição
das diretrizes corretas e da alocação dos recursos
com a máxima responsabilidade.
Fazendo
o uso correto da informação as organizações
se adaptarão aos impactos das transformações
exigidas pela dinâmica do mundo globalizado, cujo cenário
apresenta a necessidade das pessoas e organizações
se adequarem aos novos paradigmas para que permaneçam no
mercado.
Não
é apenas mudar simplesmente, mas mudar com critérios
estabelecidos em linhas de pensamento. Não é tentar
encontrar ou criar fórmulas, mas entender os ambientes de
tarefa envolvidos e promover as inovações importantes.
Mudar
observando a cultura e a importância da gestão estratégica
sobre as pessoas dentro de cada contexto. Mudar, observando os objetivos
de desempenho estratégico. Mudar observando o grau de motivação
e comprometimento dos grupos. Mudar observando e renovando valores,
reafirmando os mais importantes e alterando os necessários.
Mudar, sim. Mas, com uma referência competitiva.
Os
principais gestores de cada grupo devem ter em mente a importância
das perguntas e das resistências não reacionárias,
mas as formadoras de opinião.
A
mudança, se for necessária, deve buscar obter o completo
alinhamento dos objetivos estratégicos, da missão
da empresa e as necessidades de seus grupos de stakeholders.
Tudo
isso para quando a mudança for efetuada, possuir força
suficiente para estabelecer uma competência, nova ou reformulada,
mas que pode se transformar em essencial para o desempenho estratégico.
A principal
mudança deve ser para uma nova atitude, que precisa ser criada
nestes cenários de competitividade crescente: a capacidade
de questionar sobre os resultados esperados e os encontrados. Pois
a alteração de cada um pode oferecer soluções
criativas e mobilizar novos recursos para encontrar sinergia, e
isso envolve diretamente as pessoas e suas competências.
É
a criação de referências que possibilita a observação,
e ação, não só da necessidade de mudança,
como da intensidade desta para transformar em melhoria o passado
e a história.
Portanto,
a busca pelo desenvolvimento passa por pensar e fazer pensar com
parâmetros definidos, não na adaptação
pura de teorias, criando sofismas, mas na correta solução
das lacunas para a sobrevivência e expansão.
Isto
atribui importância vital ao conhecimento. Não só
a sua obtenção, mas o seu uso crítico, observando
a importância de sua contribuição para desenvolver
a eficácia necessária.
E
hoje, neste insano processo de mudança corrente, aquele que
erra ao obter ou usar o conhecimento, sem critérios, sem
críticas, sem questionamentos, corre o risco de estar na
caverna, dita por Sócrates em sua alegoria, seja como prisioneiro
de sua ignorância ou como o liberto, tido como mentecapto,
ao anunciar a boa nova aos demais.
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