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Depressão
infantil
Vanessa Jacinto, O Estado de Minas - 05/10/05
Ao contrário do que muitos pensam, criança também
sofre de depressão. Entre os sintomas estão desânimo,
tristeza, dificuldade para dormir e queda no rendimento escolar
Quando recebeu o diagnóstico de que o filho de 7 anos estava
com depressão, a relações públicas Roberta
Oliveira, de 38 anos, levou um bom tempo para se refazer do choque.
Ela sabia que o filho estava com problemas, mas chegou a considerar
a possibilidade de que ele estivesse apenas querendo chamar a atenção,
com ciúmes do irmão mais novo.
O
parecer definitivo – que incluiu seu filho na estatística
brasileira dos 5% da população infantil com depressão
– só foi possível quando um especialista e a
professora começaram a fazer uma espécie de “inventário”
do comportamento do menino. Ele apresentava sinais de desânimo,
problemas para dormir, indisposição para realizar
atividades físicas, irritabilidade, queda no rendimento escolar,
medos infundados e rebeldia. “As notas dele caíram
muito e, por qualquer motivo, ele chorava em casa ou na sala de
aula. Meu filho não queria comer e vivia perguntando se a
gente realmente gostava dele”, lembra Roberta.
Os
mesmos sinais também levaram a dona-de-casa Isabel dos Santos,
de 35, a procurar um psiquiatra para a filha de 8 anos. Segundo
ela, sem a ajuda de um médico não é possível
identificar o problema, normalmente associado aos adultos. “A
gente tem até medo de admitir o quadro. Não é
fácil constatar que um filho seu, uma criança, está
sofrendo de depressão.”
Igualmente
difícil é conseguir fazer um diagnóstico livre
de dúvidas. E é exatamente por isso que a psiquiatra
Luciana Nogueira de Carvalho, da comissão científica
do XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que acontece de 12
a 15 deste mês, em Belo Horizonte, recomenda a máxima
atenção dos pais no que diz respeito ao comportamento
dos filhos.
Segundo
ela, uma criança que perde um ente querido, que muda de cidade
ou que apresenta uma doença crônica, por exemplo, pode
se tornar triste, temporariamente, como uma reação
normal, esperada para aquela situação vivida. Entretanto,
mesmo nesses casos, os pais devem observar se outras áreas
de interesse foram preservadas, se a criança mantém
suas amizades, se o sono se alterou, se ela fica constantemente
irritada, se chora com pequenos acontecimentos. A sintomatologia
é variada. Mas uma criança deprimida não está
feliz, não brinca como seria esperado, não sente motivação
para realizar pequenas tarefas antes prazerosas. “Os pais,
nesses casos, devem procurar ajuda profissional para esclarecer
se o comportamento está adequado ou não. A depressão
pode aparecer em qualquer idade e, quanto mais cedo for diagnosticada
e acompanhada, melhores os resultados do tratamento.”
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