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Pessoas:
a chave da mudança
Edson Gil
Uma
das maiores, se não a maior, preocupação do
homem é o seu momento atual. Sempre cheio de incertezas e
instigante, esse nosso mundo globalizado, cada vez mais dinâmico,
acentua essa situação de medo sobre o futuro. Para
combater o medo das incertezas quanto ao seu momento, o homem busca
cada vez mais apoiar-se no conhecimento, ciente de que toda a evolução
provoca não apenas mudanças enormes, novas implicações
e responsabilidades, mas que requer sobretudo: entendimento. Assim,
o conhecimento está se transformando no recurso – chave
para o futuro. Não apenas o conhecimento generalizado, mas
o especializado.
Esse
conhecimento especializado não é obtido do nada. Não
adianta desenvolver pensamentos e conceitos que já existem,
julgando-os inexistentes. O conhecimento precisa ser focado na ciência,
no verdadeiro conhecimento teórico.
O
pensamento teórico sobrepõe, complementa e aperfeiçoa
a perspectiva prática. Mas, o aspecto importante a ser considerado
é a interação entre ambos: teoria e prática.
De nada adianta o conhecimento prático desordenado, bem como
o conhecimento teórico inaplicável ou inexperiente.
Dessa
forma, as teorias de mudança organizacional podem privilegiar
uma outra dimensão teórica organizacional específica,
de acordo com a perspectiva de análise que for usada.
A
Perspectiva Estratégica parte da premissa que a organização
é um sistema aberto, dinâmico, político-econômico
e social, vislumbra-se sua interação com a sociedade.
O agente modificador deve possuir conhecimento sobre aspectos técnicos
e comportamentais de decisão e de solução de
problemas, partindo de diversos pontos e níveis de conhecimento.
O
posicionamento da administração deve analisar cada
perspectiva ou problema buscando quase sempre o trabalho em equipe.
E trabalhar em equipe significa levar em consideração
os aspectos pessoais e comportamentais. A estratégia da empresa
pode tangenciar a perfeição, porém sem uma
equipe motivada, as resistências tendem a ser muito fortes.
A
Perspectiva Estrutural tem a organização como um sistema
de regras e normas que definem autoridade e responsabilidade de
seus integrantes, cujos comportamentos são determinados em
prol do objetivo comum, definindo o papel formal dos funcionários
como o fator primordial de eficiência e eficácia.
Dependendo
da estrutura utilizada pela organização e a personalidade
de cada integrante, a implementação das mudanças
poderá se tornar uma tarefa muito difícil. Personalidades
acostumadas a superar desafios e que apreciem a competitividade,
com ética e responsabilidade social, podem se sentir desmotivadas
em uma organização onde todos os passos são
controlados, a criatividade é inibida e o trabalho em equipe
é apenas setorial ou utópico.
É
preciso se ter consciência de que mesmo sob aspectos estruturalistas,
com definições de cargos e atividades, níveis
de responsabilidade e autoridade, as expectativas das pessoas devem
ser levadas em consideração e utilizadas pela administração
para efetivar o alcance dos objetivos organizacionais.
A
Perspectiva Tecnológica preocupa-se com a forma de produzir,
com o processo produtivo propriamente dito, revendo a forma de alocação
dos recursos sejam eles humanos, materiais, ou intelectuais. Basicamente,
as mudanças tecnológicas implicam em novas formas
de conhecimento especializado, seja para operar com as novas máquinas
e equipamentos, seja para desenvolver novos processos de produção
ou formas de utilização do conhecimento.
Na
Era do Conhecimento, a perspectiva tecnológica mostra-se
de forma mais dinâmica como nunca se viu. Os avanços
nas áreas de informações e gestão, isso
se falarmos apenas em administração, são muito
sensíveis. O que diferencia basicamente uma empresa da outra
são as formas como estas novas tecnologias são utilizadas
na transformação dos insumos.
Dentro
da perspectiva tecnológica também se faz necessário
atentar para as situações do fator humano, tais como
ergonomia, resistência a mudanças e objetivos pessoais.
A tecnologia se faz, também, na qualidade de vida no trabalho.
Novos processos são importantes se permitirem que pessoas
e a organização possam atingir seus objetivos em suas
expectativas.
Como
a globalização e a evolução tecnológica
tendem a equiparar as empresas em níveis cada vez mais elevados,
fica o questionamento de como as empresas mais avançadas
tecnologicamente poderão inovar para se manterem competitivas
na Era do Conhecimento.
A
Perspectiva Humana parte do pressuposto que se pudéssemos
manter as demais variáveis, tecnológicas, econômicas,
políticas em condições estacionadas ou seja
“in ceteris paribus”, as pessoas são o diferencial
necessário e motivá-las passa então a ser o
grande diferencial. Comprometê-las, na e com a organização,
torna-se o grande desafio. Ou seja, para se mudar uma organização
é necessário “inovar o contrato psicológico”
entre o indivíduo e a empresa equilibrando os graus de retribuição
e contribuição, alterando atitudes, comportamentos
e a forma de participação de cada um dos envolvidos.
Buscar
a melhoria de qualquer coisa dentro da organização
sem envolver pessoas torna-se cada vez mais difícil e o nível
de conhecimento específico é cada vez maior e mais
necessário. Esse conhecimento deve estar nas pessoas e estas
pessoas devem trabalhar em equipe, de modo a permitir que todos
atinjam os seus objetivos pessoais e organizacionais. O conhecimento
tem de ser especializado e cada um assuma a responsabilidade por
sua contribuição bem como a responsabilidade de ser
compreendido.
Esse
novo comportamento dentro das organizações tem o indivíduo
como ponto de partida. E suas necessidades, se usássemos
a escala de Maslow como exemplo, fisiológicas, de segurança,
mas principalmente as sociais, de auto – estima e de auto
– realização são influenciadoras neste
processo. A motivação volta-se para as metas a serem
atingidas. E quando essas metas - necessidades não são
satisfeitas pode gerar frustração, conflito e stress.
A
cultura definida como o complexo de padrões de comportamento,
hábitos sociais, significados, crenças, normas e valores
selecionados historicamente, transmitidos coletivamente e que constituem
o modo de vida e as realizações de um grupo humano,
tornando uma organização diferente das demais. Por
isso, a Perspectiva Cultural preocupa-se mais com o que é
coletivo do que o comportamento individual.
A
cultura de uma organização é sua identidade,
seu retrato, com um gerenciamento extremamente complexo e imprevisível,
porém podendo ser aprendida, e as pessoas podem, aos poucos,
adaptarem-se a ela.
O
processo de mudança da cultura deve levar em consideração
os aspectos individuais, na medida do possível, para buscar
reduzir a resistência existente e motivar as pessoas sobre
todo o processo.
A
Perspectiva Política analisa o sistema de poder interno na
organização, onde as pessoas buscam maior influência
no processo decisório, através de um jogo político
ou de se desenvolver processos de ganhos e perdas.
Como
as pessoas, para atingir seus objetivos, pessoais e profissionais,
tendem a centralizar determinadas fontes de poder, tais como informações
e recursos financeiros, pessoais ou materiais, as prioridades, em
um processo de mudança, precisam ser redefinidas e as fontes
de poder reaplicadas de forma a garantir a implantação
da mudança.
Porém,
as pessoas envolvidas e que utilizam essas fontes de poder vão
resistir e o processo precisa ser conduzido com eficiência
de modo a garantir motivação às pessoas envolvidas.
Portanto,
é a contingência que vai determinar a importância
e a ênfase em cada uma dessas perspectivas. A organização
como sistema aberto, e globalizado, tendem a se livrar dos paradigmas
através justamente dessa interdependência e multidisciplinaridade
dos fatores expostos. A grande alavanca para o processo são
as pessoas e as mudanças, devem estar focadas em seu envolvimento
nas atividades e busca de uma melhor qualidade de vida, dentro e
fora da empresa.
Referências
Bibliográficas
ALVES,
Sérgio. Revigorando a Cultura da Empresa. São Paulo:
Makron Books, 1997.
DRUCKER,
Peter. Admirável mundo do conhecimento. HSM Management, ano
1, n º 1, mar/abril, p.64-68, 1997.
GIBSON,
IVANCEVICH e DONNELLY. Organizações. Comportamentos,
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MOTA,
Roberto. Transformação organizacional, a teoria e
a prática de inovar. Rio de Janeiro: Quality Mark, 1998. |